Ângela Ferreira

Campo Experimental @ Maputo

31.10.202416.02.2025
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AF Maputo4
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AF Maputo6
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Descrição

Curadoria de Álvaro Luís Lima e Paula Nascimento

Fotografias de Yassmin Forte

«Campo Experimental: Ângela Ferreira em colaboração com Alda Costa tem lugar no Museu Nacional de Arte (MUSART), em Maputo, sendo a primeira exposição individual de Ângela Ferreira numa instituição pública em Moçambique.

A exposição explora pesquisas materiais e ambientais realizadas nos primeiros anos da independência do país (1975) envolvendo diferentes frentes de trabalho. O título da exposição refere-se especificamente ao nome de um espaço de aprendizagem agrícola mantido no campus da Universidade Eduardo Mondlane, a partir de 1976, onde funcionários, investigadores e estudantes trabalharam em conjunto para produzir alimentos, conceber ferramentas e estruturas, e formar agricultores, camponeses e técnicos comunitários. Este local experimental foi coordenado pelo Centro de Estudos TBARN (Técnicas Básicas de Aproveitamento de Recursos Naturais/Técnicas Básicas no Aproveitamento Racional da Natureza), um grupo alargado de pesquisa formado nos primeiros anos da revolução pós-independência, para, entre diversas outras acções, melhorar a produção e a qualidade de vida dos agricultores com recursos mínimos. Ferreira baseia-se nos vestígios visuais e textuais do TBARN para revelar o espírito revolucionário que fez de Moçambique um centro global de experimentação radical na década de 1970 e no início da década de 1980.

O projecto expande a prática de investigação de Ferreira e a sua procura pela contemporaneidade do passado. Campo Experimental emerge do diálogo contínuo da artista com Alda Costa, historiadora de arte e trabalhadora cultural moçambicana cuja experiência vivida durante o período da revolução socialista pós-independência e anos seguintes bem como os estudos posteriores a tornam memória viva de um momento incomparável na história cultural. Na exposição, objectos históricos do acervo pessoal de Costa são expostos ao lado da obra de Ferreira. O design destes objetos destaca a priorização das condições materiais na vanguarda da produção cultural dos primeiros anos de Moçambique independente. Essas características acentuam a estética do TBARN presente em toda a exposição: do uso multifuncional de materiais simples, a ênfase nas formas angulares dos objectos destinados a uso pragmático e as cores vibrantes nas paredes, baseadas no panfleto informativo produzido pela universidade (Queimadas, 1977). Ferreira enfatiza o carácter experimental do TBARN ao transformar algumas estruturas desenvolvidas na época em objectos estritamente estéticos—o pensamento estético torna-se um método produtivo para reimaginar aspectos da vida rural sob um novo modelo de colectividade.

Originalmente inaugurada no espaço de arte contemporânea Rialto6, em Lisboa, a exposição chega a Maputo num formato expandido: inclui vídeos do músico Scúru Fitchádu numa performance encomendada para a exposição, fotografias de Kok Nam do campus experimental do TBARN, e imagens usadas por Ferreira no processo da criação dos seus trabalhos. Outras obras referentes a Moçambique foram incluídas na exposição nesta versão apresentada no MUSART, incluindo For Mozambique (2008), exposta pela primeira vez no país. Através de um diálogo entre vozes e temporalidades diversas, os trabalhos de Ferreira investigam histórias que expressam simultaneamente pragmatismo político e ludicidade criativa, sendo simultaneamente enraizados localmente e de alcance internacional.»

– Álvaro Luís Lima e Paula Nascimento