Werner Büttner
Reflections in a Pilfering Eye
Descrição
Reflections in a Pilfering Eye é a primeira exposição individual do pintor alemão Werner Büttner em Portugal. Reflections in a Pilfering Eye faz alusão indireta a «Reflections in a Golden Eye», de Carson McCullers, que ganhou fama em 1967 graças à adaptação cinematográfica do romance, realizada por John Huston. Como sempre acontece com o traço de Büttner, é possível procurar referências paralelas, mas, em última análise, o artista ensina-nos que nem sempre se pode confiar no que se lê ou no que se vê. No entanto, o título revela uma característica persistente na obra de Büttner – roubar, saquear, furtar.
É como se toda a cultura estivesse à disposição de quem quiser. Não deveria conseguir safar-se com a forma como lida com estes monumentos imutáveis que dão nome à obra, mas Büttner observou atentamente e leu profundamente. Muito além das práticas artísticas de apropriação, Büttner surge como o ladrão cavalheiro que age sempre à vista de todos. Ele consegue realizar simultaneamente uma análise e um ceticismo sobre tudo o que observa.
A seleção de obras na exposição revisita momentos da história cultural a partir de uma perspetiva interrogativa. Como Büttner observou recentemente: «Os pais das boas imagens são outras boas imagens.» E, de facto, há um prazer infinito na sua obra em desvendar as referências — desde os rabiscos de Tristram Shandy até ao suporte para garrafas de Duchamp como uma coroa de espinhos. Cumulativamente, Büttner traça perspetivas e deveres mais complexos sobre como um pintor pode pintar hoje em dia. Abordando o tema em toda a sua amplitude, em todos os géneros, é um encontro de atrito persistente que, de alguma forma, sustenta aquilo que critica.
Do mesmo modo, é importante salientar que Büttner não faz arte sobre a arte, mas sim sobre o reconhecimento de que olhar para a arte é um ato de envolvimento. E ninguém olha com mais atenção. Mesmo nos seus momentos mais irónicos, o seu trabalho é uma atividade ética.
Büttner tem sido uma figura crucial na arte alemã desde o início da década de 1980.Juntamente com os seus primeiros colaboradores, Martin Kippenberger e Albert Oehlen, procurou subverter o domínio da arte conceptual e minimalista através de um regresso à pintura assumidamente disruptivo e irreverente. Como professor de Pintura na Universidade de Belas-Artes de Hamburgo, de 1989 a 2021, exerceu uma enorme influência sobre gerações de pintores, incluindo Daniel Richter e Jonathan Meese.
Em 1979, Büttner participou na agora lendária exposição Elend [«Miséria»] no escritório de Kippenberger e, em 1982, o seu trabalho foi incluído na exposição Zeitgeist no Gropiusbau de Berlim. Esta foi considerada uma exposição marcante para uma nova geração de artistas da época. Em 2013, Büttner foi objeto de uma grande retrospetiva no ZKM, em Karlsruhe, acompanhada por uma importante monografia publicada pela Hatje Cantz.
A exposição foi comissariada pelo professor Andrew Renton, que colaborou com Büttner em várias exposições, além de ter editado duas importantes monografias em inglês sobre o artista.